CARTA PASTORAL | Epifania do Senhor Jesus

CARTA PASTORAL | Epifania do Senhor Jesus

CARTA PASTORAL

Epifania do Senhor Jesus

“Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.” Mateus 2.2

 Amados irmãos e irmãs em Cristo,

Povo e clero da Igreja Anglicana no Brasil

 …Graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo 2 Coríntios 2:14a

 No calendário eclesiástico, hoje se celebra a Epifania do Senhor Jesus. E o que realmente significa isso? Pois bem, Epifania significa manifestação, revelação visível ou aparecimento claro, a origem da palavra vem do grego epipháneia (ἐπιφάνεια), formada por:

  • epi = sobre, acima
  • phaíno = aparecer, tornar visível

Literalmente: “tornar-se visível”, “aparecer com clareza”. E, no sentido Bíblico e cristão, refere-se à manifestação de Jesus Cristo ao mundo, especialmente aos gentios, representados pelos magos do Oriente (Mateus 2:1–12). Ou seja, não é apenas o nascimento de Jesus, mas também o momento em que Ele se torna conhecido. Na Epifania do Senhor, a Igreja proclama que a luz de Cristo não pertence a um povo apenas, mas foi revelada a todas as nações. A estrela que guiou os magos continua a brilhar como sinal de que Deus se dá a conhecer aos que o buscam com sinceridade de coração.

A Epifania nos recorda que o nascimento de Jesus não é apenas um fato histórico a ser lembrado, mas uma revelação contínua: Deus se manifesta, se aproxima e se deixa encontrar. Os magos não pertenciam ao povo da aliança, não conheciam plenamente a Lei nem os Profetas, mas reconheceram os sinais de Deus e se colocaram em caminho. A fé começa muitas vezes assim: com uma busca honesta, com passos dados à luz que se tem.

Ao chegarem a Belém, eles não encontram um palácio, mas sim uma criança. Não encontram poder político, mas humildade. E ainda assim, ajoelham-se e adoram. A Epifania nos ensina que Deus se revela de forma diferente do que esperamos, mas nunca de forma menor do que precisamos. O Cristo que se manifesta é o Rei que reina pelo amor, pela entrega e pela obediência ao Pai.

Este dia também nos chama à missão. Assim como Cristo se revelou aos magos, a Igreja é chamada a ser um sinal visível dessa luz no mundo. Não fomos alcançados pela graça para guardá-la, mas para refleti-la. Em um tempo marcado por confusão, medo e polarizações, somos chamados a testemunhar Cristo com clareza, mansidão e fidelidade.

Que a Epifania de 2026 renove em nós três atitudes essenciais: buscar a Deus com perseverança, adorar Cristo com humildade e retornar ao mundo por outro caminho, transformados pelo encontro com o Senhor.

Que a luz de Cristo ilumine nossas casas, nossas igrejas e nossas decisões. E que,

guiados por essa luz, sigamos firmes no caminho da fé, da verdade e do amor à  nossa missão. Em Cristo, Luz do mundo,

++Miguel Uchoa
Arcebispo e Primaz

Igreja Anglicana no Brasil

CARTA PASTORAL | Epifania do Senhor Jesus

Boas Festas ou Feliz Natal?

Quando o nome desaparece, o sentido também se perde

 Desde criança, quando chegava essa época, as saudações, lembro bem, deixavam de ser: “tudo de bom!”, “até mais!” ou outra qualquer e se tornavam: “Feliz Natal” e “Próspero Ano Novo”. A verdade é que todos os anos, ao nos aproximarmos do fim de dezembro, somos envolvidos por um clima de celebração. Ruas iluminadas, vitrines decoradas, confraternizações, músicas conhecidas. No entanto, quanto mais o cenário se torna festivo, mais silencioso parece o motivo real da celebração. A troca da expressão “Feliz Natal” por “Boas festas” é apenas um sintoma visível de algo mais profundo: a perda progressiva do sentido do Natal.

E aqui a pergunta precisa ser feita com honestidade: isso é apenas uma adaptação de linguagem ou estamos, de fato, perdendo o centro da celebração?

Quando o Natal vira apenas um período, e não um acontecimento

Hoje, fala-se amplamente em “período de festas”, “temporada natalina” ou “recesso de fim de ano”. O Natal deixa de ser um acontecimento singular para se tornar parte de um pacote genérico de celebrações. Ele passa a ser definido mais pelo calendário comercial do que pelo calendário cristão.

 Vemos, por exemplo:

  • Escolas realizando “festas de encerramento” sem qualquer referência ao Natal;
  • Apresentações infantis substituindo o presépio por personagens neutros ou genéricos;
  • Músicas natalinas esvaziadas de qualquer referência à encarnação, focando apenas em clima, afeto ou consumo;
  • Campanhas públicas cuidadosamente elaboradas para evitar qualquer menção ao nascimento de Jesus.

 Nada disso acontece por acaso. Trata-se de uma tentativa de “desreligiosizar” uma festa que, por natureza, é teológica.

A substituição do conteúdo pelo clima

 Outro sinal claro da perda de sentido é a substituição do conteúdo pelo clima. O Natal passa a ser celebrado como um sentimento: paz, fraternidade, solidariedade. Esses valores são bons, desejáveis e profundamente cristãos. O problema é quando eles são apresentados sem a fonte que os sustenta.

Fala-se de paz, mas não do Príncipe da Paz. Fala-se de amor, mas não daquele que “nos amou primeiro”. Fala-se de esperança, mas não da encarnação que a fundamenta.

O resultado é um Natal bonito, porém vazio; agradável, porém frágil; emocional, mas não transformador. Um Natal que depende do humor coletivo e não de uma verdade eterna.

O apagamento do nome é o apagamento da história

Natal é uma palavra carregada de significado. Ela aponta para a natividade, para um nascimento específico, em um lugar específico, em um tempo específico. Quando deixamos de nomear o Natal, deixamos também de contar sua história.

A Bíblia não trata o nascimento de Jesus como um mito inspirador, mas como um evento real:

  • Houve uma manjedoura,
  • Houve pastores,
  • Houve uma criança,
  • Houve uma promessa cumprida.

Quando o nome desaparece, a história se dissolve. O Natal se torna intercambiável com qualquer outra celebração de fim de ano. E aquilo que é intercambiável, com o tempo, se torna descartável.

A noite que precisa ser afirmada

 

Há algo profundamente simbólico no fato do Natal ser celebrado à noite. Foi na noite que os anjos anunciaram aos pastores. Foi na noite que a luz brilhou nas trevas. Em uma noite comum, Deus fez algo extraordinário.

Por isso, há noites que precisam ser afirmadas, não relativizadas. O Natal não é apenas um intervalo entre dois feriados. É a noite em que a Igreja proclama: “Hoje vos nasceu o Salvador”.

Não afirmar isso, especialmente na própria comunidade cristã, é aceitar que o silêncio substitua o anúncio.

Não se trata de impor, mas de testemunhar

Reafirmar o sentido do Natal não é um ato de intolerância cultural. É um ato de coerência espiritual. A fé cristã nunca avançou pela imposição, mas sempre pela proclamação.

Dizer “Feliz Natal” não é exigir que todos creiam, mas é assumir publicamente o que cremos. É reconhecer que a nossa alegria não vem apenas do encontro, da ceia ou do descanso, mas do fato de que Deus entrou na nossa história. Quando a Igreja se cala, o Natal não se torna mais inclusivo; torna-se apenas mais raso.

Festas passam. O Natal anuncia algo eterno

 Festas acabam. As luzes se apagam. As músicas param. O comércio desmonta suas vitrines. Mas o Natal, enquanto anúncio, permanece. Permanece porque fala de algo que o mundo continua a necessitar: reconciliação com Deus, sentido para a vida, esperança que não depende das circunstâncias.

Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “Boas festas ou Feliz Natal?”, mas: O que estamos dispostos a perder para não afirmar aquilo que celebramos?

A Igreja não precisa gritar. Mas também não pode se esconder. Em tempos de confusão de sentidos, afirmar o Natal é um ato de fidelidade. Porque festas há muitas. Mas Natal é o anúncio de que Deus veio até nós.

E isso, sim, faz toda a diferença.

Qual é a sua saudação? A minha continua sendo…

Feliz Natal e abençoado e um próspero Ano Novo.

Esse é o meu desejo para você!

Miguel Uchoa

Bispo Primaz

Igreja Anglicana no Brasil

Mordomia e Compromisso com a Obra de Deus: A Voz de Ageu para o Nosso Tempo.

Mordomia e Compromisso com a Obra de Deus: A Voz de Ageu para o Nosso Tempo.

Mordomia e Compromisso
com a Obra de Deus: A Voz
de Ageu para o Nosso Tempo
Miguel Uchoa*

O profeta Ageu viveu num tempo em que o povo de Deus havia perdido o foco. Depois de anos de exílio, a nação retornou a Jerusalém com a missão de reconstruir o templo, mas logo se acomodou. O altar estava parado, e cada um cuidava apenas da própria casa (Ageu 1:4). A mensagem de Ageu é, portanto, uma convocação à mordomia espiritual e ao compromisso com o Reino, temas tão urgentes hoje quanto há 2.500 anos.

Quando a prioridade se perde, a bênção se interrompe

 “Vocês esperavam muito, e eis que veio a ser pouco… Por qué? Diz o Senhor dos Exércitos. Por causa da minha casa, que ainda está em ruínas, enquanto cada um de vocês corre para a sua própria casa. “ Ageu 1:9, NVI.

 A negligência espiritual descrita por Ageu não é diferente da que pode ocorrer em nossos dias. Vivemos tempos de correria, em que o urgente toma o lugar do importante. Muitos servos de Deus estão cansados, não por excesso de serviço, mas por falta de propósito eterno em tudo o que fazem.

 Como disse Eugene Peterson, pastor e autor da Bíblia A Mensagem: “O maior perigo da igreja moderna é fazer as coisas certas pelas razões erradas.” É possível servir muito e, ainda assim, estar longe da vontade de Deus. Quando nossa prioridade deixa de ser o Senhor e Seu Reino, o resultado é o mesmo do tempo de Ageu: esforço sem fruto e ativismo sem presença. A verdadeira mordomia começa quando reconhecemos que tudo o que temos e fazemos existe para a glória de Deus, não para nossa conveniência.

O chamado à reconstrução: arrependimento e ação

 “Agora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Vejam onde os seus caminhos os levaram! “Ageu 1:5, NVI 

Deus não repreende para destruir, mas para restaurar. O chamado de Ageu é uma convocação ao arrependimento prático, voltar a colocar Deus no centro das decisões, do tempo, dos recursos e das prioridades. Como ensina John Stott, em O Discípulo Radical: “O arrependimento verdadeiro não é apenas um lamento pelo passado, mas uma mudança de direção para o futuro.” A mordomia, portanto, é o ato de reconhecer a soberania divina sobre tudo o que somos e possuímos. Quando nos dispomos a obedecer, Deus mesmo desperta o nosso espírito, assim como fez com Zorobabel, Josué e o povo (Ageu 1:14).A verdadeira transformação espiritual nunca começa de fora para dentro, mas do coração para as mãos, do altar para o trabalho.

Quando há obediência, vem a restauração

 “A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos; e neste lugar darei paz.” Ageu 2:9, NVI

 Deus prometeu que a glória seria maior, não porque o novo templo fosse mais bonito, mas porque a presença do Senhor estaria no meio do povo obediente. Essa é a recompensa da fidelidade: a manifestação da presença divina. Hoje, a Igreja é o templo vivo. E cada líder, cada voluntário, cada dizimista fiel é uma pedra nessa edificação. Quando a casa de Deus é cuidada com fidelidade, a bênção transborda também para as casas individuais. Como afirmou o teólogo Timothy Keller: “A mordomia cristã é o reconhecimento de que a vida não é sobre o quanto possuímos, mas sobre a quem pertencemos.” Obedecer é investir no que permanece. E quando fazemos isso, o mesmo Deus que restaurou Jerusalém restaura hoje famílias, ministérios e igrejas inteiras. A obediência traz consolo, prosperidade verdadeira e a paz que o dinheiro não pode comprar.

Aplicação para nós hoje

 O profeta Ageu continua falando com força à igreja contemporânea:

  • Priorizar o Reino é reordenar a vida à luz da eternidade.
  • A mordomia fiel é um testemunho contra a cultura do consumo e da pressa.
  • A obediência é o caminho mais curto entre o desânimo e a glória.

 O povo de Ageu descobriu que a fidelidade abre as comportas do céu, não apenas de recursos, mas também da presença do próprio Deus. E esse é o maior tesouro de todo servo fiel.

 

Conclusão

 

A mensagem de Ageu é uma exortação e uma promessa. Deus continua dizendo: “Vejam onde os seus caminhos os levaram”. Mas também continua prometendo: “A glória será maior”. Toda vez que um líder, um pastor ou um servo decide colocar o Reino em primeiro lugar, algo é reconstruído, dentro e fora da casa de Deus. E, no fim, o verdadeiro fruto da mordomia não é a prosperidade material, mas a paz que vem de saber que estamos cooperando com o plano eterno do Senhor.

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas.”Mateus 6:33, NVI

 

 

 

 

*++ Miguel Uchoa
Arcebispo e Primaz da Igreja Anglicana no Brasil  | Vice-Presidente do GAFCON
Fundador e Deão da PAES
(Catedral Nacional da Igreja Anglicana no Brasil)
Recife, 30 de outubro de 2025

CARTA PASTORAL | Epifania do Senhor Jesus

Ao clero e a quem interessar possa

Ao clero e a quem interessar possa

Graça e paz da parte de Deus e, graças a Deus que nos dá vitória em Cristo Jesus

Como é do conhecimento de alguns, na semana passada, como parte do conselho de primazes e como Vice-Presidente do GAFCON, participei de uma consulta a pedido do Presidente e Arcebispo de Ruanda Laurent Mbanda. Estavam presentes alguns primazes, parte dos fundadores do GAFCON e algumas lideranças na cidade de Sydney, Austrália.

Durante três dias nos debruçamos sobre os desafios que se enfrentam hoje no âmbito da Comunhão Anglicana em algumas partes do mundo. Enquanto, na maioria dos países em que nossa igreja está estabelecida, ela é vibrante, evangélica, bíblica e de visão missionária, por outro lado, em alguns países, a teologia revisionista tomou corpo e influenciou a igreja.

Essa teologia herética apresenta um falso evangelho que tem colaborado para que os fundamentos básicos do evangelho de Jesus Cristo estejam sendo deturpados e levando a igreja à ruína, transformando-a em uma agência ou organização qualquer que dista do propósito do evangelho como o oriente do ocidente.

Esse fenômeno não é novo, já em 2008, líderes anglicanos preocupados com os rumos da igreja convocaram a 1ª Conferência para o Futuro do Anglicanismo, conhecida como GAGFCON I. Ali se reuniram quase 1.500 líderes entre leigos, clérigos e bispos de todos os continentes, dali saiu a Declaração de Jerusalém e ali se iniciou esse movimento que busca trazer a Comunhão Anglicana de volta aos princípios bíblicos e colocar a Bíblia no centro dela. Depois de Jerusalém 2008, vieram Nairobi 2013, Jerusalém 2018, Ruanda 2023 e Dallas 2024, e a cada ano temos um encontro das lideranças mundiais do Movimento. Tenho tido o privilégio de participar em todos estes encontros desde 2008.

Depois de inúmeras tentativas de chamar à razão as lideranças Anglicanas, de diálogos e debates, declarações e propostas, percebemos claramente que a Comunhão Anglicana “fecha os ouvidos” a tudo o que temos tentado dizer. Entendemos que os chamados “Instrumentos de Comunhão” falharam drasticamente no propósito de unir esse povo. Em fevereiro de 2023, após as decisões do Sínodo da Igreja da Inglaterra aprovar as mudanças na doutrina do casamento fugindo dos princípios bíblicos, emitimos juntos com o GSFA uma declaração na 4ª feira de cinzas que desconsiderava os instrumentos de comunhão e o arcebispo de Cantuária como líder da Comunhão. A partir de então, consideramos nossos laços com a Igreja da Inglaterra apenas históricos.

Com os últimos desdobramentos, incluindo a escolha de uma mulher, lésbica e que vive em parceria “conjugal” com outra mulher, como Arcebispa do País de Gales, e a recente escolha da Bispa Revisionista liberal pró-aborto e que apoia as mudanças no conceito do casamento da igreja, entendemos que precisávamos tomar uma decisão. Reunidos em Sydney, tomamos a decisão de fazer valer a razão pela qual a conferência e posteriormente o Movimento GAFCON foram fundados.

É nosso papel, como movimento, nos movermos, e por isso decidimos, de maneira oficial, declarar a incompatibilidade e o distanciamento total dos instrumentos de unidade da Comunhão Anglicana, como está claro na carta do Presidente do GAFCON, homologada pelo Conselho de Primazes do movimento em 16 de outubro desse ano.

Nunca deixamos a Comunhão Anglicana porque somos a herança legitima de suas raízes e a continuidade do que ela sempre creu, declarou e ensinou. Na realidade…

Nós somos

A COMUNHÃO ANGLICANA GLOBAL

Historicamente, e sob a graça de Deus em 16 de outubro de 2025, dia dos Mártires Hugo Latimer e Nicholas Ridley, assinamos essa decisão.

Quando Latimer e Ridley estavam sendo amarrados à estaca, Latimer disse a Ridley:

“Seja corajoso, mestre Ridley, e tenha bom ânimo; pois hoje, pela graça de Deus, acendemos na Inglaterra uma vela que, espero, jamais se apagará.”

Que a chama dos mártires nunca se apague, aqueça nossos corações com paixão pela missão de Deus e ilumine nosso caminho coma a verdade do evangelho.

++ Miguel Uchoa
Arcebispo e Primaz da Igreja Anglicana no Brasil
Vice-Presidente do GAFCON
Recife, 20 de outubro de 2025

       Letter to the Clergy and to Whom It May Concern

Grace and peace from God our Father and the Lord Jesus Christ, who leads us in triumph and gives us victory through the cross.

Dear Brothers and Sisters in Ministry,

As many of you know, I recently participated, as Vice-President of the GAFCON (Global Anglican Future Conference), in a consultation at the invitation of its President, Archbishop Laurent Mbanda, Primate of the Anglican Church of Rwanda. The meeting took place in the city of Sydney, Australia, bringing together part of the Primates’ Council, some of the founders of the movement, and other Anglican leaders from diferente provinces.

For three days, we dedicated ourselves to prayer, reflection, and discernment of the challenges facing the Anglican Communion today. While in many parts of the world our Church remains vibrant, evangelical, biblical, and missionary, in other regions, theological revisionism has taken hold, undermined the foundations of the historic Christian faith, and transformed the Church into a mere humanist organization, far from the Gospel of Christ.

This reality, unfortunately, is not new. In 2008, faced with the same picture of doctrinal deviation, Anglican leaders from various nations gathered in Jerusalem at the First Global Conference on the Future of Anglicanism (GAFCON I). There, some 1,500 delegates, including bishops, clergy and laity from all continents, signed the Jerusalem Declaration, a historic document that reaffirms the Communion’s commitment to the supreme authority of Scripture and to the foundations of the Reformed faith.

Since then, the movement has grown and strengthened, with conferences in Nairóbi (2013), Jerusalem (2018), Rwanda (2023), and Dallas (2024) each reaffirming the need to keep the Bible at the center of church life. I have had the privilege of participating in all these conferences since the beginning of the movement, witnessing its maturity and fidelity to the Gospel.

Despite numerous attempts at dialogue and calls for repentance, it became apparent that the so-called Instruments of Communion, the Archbishop of Canterbury, the Lambeth Conference, the Anglican Consultative Council (ACC), and the Primates’ Meeting, had failed to maintain doctrinal unity and the integrity of the faith.

The decision by the Synod of the Church of England in February 2023 to alter the doctrine of marriage, approving blessings to unions contrary to Scripture, was a turning point. Inresponse, GAFCON and the GSFA (Global South Fellowship of Anglicans) published a joint statement on Ash Wednesday that year stating that Canterbury’s leadership no longer represented the unity of the true Anglican Communion. Since then, our ties with the Church of England have been only historical, and not one of spiritual communion.

The most recent events — including the appointment in Wales as primate of a woman who lives in a marital relationship with another woman, and the choice in England of a liberal bishop who advocates abortion and the revision of the Christian doctrine of marriage — have confirmed the need for a firm and definitive decision.

Meeting in Sydney, the Primates decided to reaffirm the original reason why GAFCON was founded: to restore the integrity of the faith, the centrality of Scripture, and the unity of the Church under the lordship of Christ. Thus, on October 16, 2025, the date on which the Church commemorates the martyrdom of Bishops Hugh Latimer and Nicholas Ridley, we officially signed the reordering of the Anglican Communion, recognizing GAFCON as the rightful custodian of the historic and biblical faith of Anglicanism.

We do not leave the Anglican Communion — we are its faithful and legitimate expression. We are the living continuity of the faith of the apostles, the reformers, and the martyrs who kindled the flame of truth in England and spread it throughout the world.

When Latimer and Ridley were tied to the stake at Oxford, Latimer encouraged his
companion by saying:

“Take courage, Master Ridley, and be of good cheer, for today, by the grace of God, we
have kindled in England a flame that will never be extinguished.”

That flame, lit for nearly five centuries, is still alive — and burns today in every Anglican
heart faithful to the Word of God.

May the fidelity of these martyrs inspire our ministry, warm our hearts with passion for
mission, and lead us steadfastly in our commitment to proclaim the pure Gospel of Christ,
until the light of truth illuminates the whole nation.

In Christ, our Lord and Savior

++ Miguel Uchoa
Archbishop and Primate of the Anglican Church in Brazil

GAFCON Deputy Chair
Recife, October 20, 2025

DECLRAÇÃO DO GAFCON | 16 DE OUTUBRO 2025

DECLRAÇÃO DO GAFCON | 16 DE OUTUBRO 2025

Graça e paz para você em nome de nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado, na comemoração
do martírio de Hugh Latimer e Nicholas Ridley.

A primeira Conferência Global do Futuro do Anglicanismo (GAFCON) se reuniu em 2008,
em Jerusalém, para responder em oração ao abandono das Escrituras por alguns dos líderes
mais antigos da Comunhão Anglicana e a buscar seu arrependimento.

Na ausência de tal arrependimento, temos avançado em oração rumo a um futuro para os fiéis
anglicanos, em que a Bíblia seja restaurada ao coração da Comunhão.

Hoje, esse futuro chegou.

Nossos Primazes do Gafcon se reuniram para cumprir nosso mandato de reformar a
Comunhão Anglicana, conforme expresso na Declaração de Jerusalém de 2008.
Resolvemos reordenar a Comunhão Anglicana da seguinte forma:

1. Declaramos que a Comunhão Anglicana será reordenada, com apenas um
fundamento de comunhão, a saber, a Bíblia Sagrada, “traduzida, lida, pregada,
ensinada e obedecida em seu sentido claro e canônico, respeitando a leitura histórica
e consensual da igreja” (Declaração de Jerusalém, Artigo II), que reflete o Artigo VI
dos 39 Artigos de Religião.

2. Rejeitamos os chamados Instrumentos de Comunhão, ou seja, o Arcebispo de
Cantuária, a Conferência de Lambeth, o Conselho Consultivo Anglicano (CCA) e a
Reunião de Primazes, que falharam em defender a doutrina e a disciplina da
Comunhão Anglicana.

3. Não podemos continuar a ter comunhão com aqueles que defendem a agenda
revisionista, que abandonou a palavra inerrante de Deus como autoridade final e
derrubou a Resolução I.10, da Conferência de Lambeth de 1998.

4. Portanto, o Gafcon reordenou a Comunhão Anglicana, restaurando sua estrutura
original como uma irmandade de províncias autônomas unidas pelos Formulários da
Reforma, conforme refletido na primeira Conferência de Lambeth em 1867, e agora
somos a Comunhão Anglicana Global.

5. As províncias da Comunhão Anglicana Global não participarão de reuniões
convocadas pelo Arcebispo de Cantuária, incluindo o CCA e não farão nenhuma
contribuição monetária para o CCA, nem receberão qualquer contribuição monetária
do ACC ou de suas redes.

6. As províncias que ainda não o fizeram são encorajadas a emendar sua constituição
para remover qualquer referência a estar em comunhão com a Sé de Cantuária e com
a Igreja da Inglaterra.

7. Para ser membro da Comunhão Anglicana Global, uma província ou diocese deve
concordar com a Declaração de Jerusalém de 2008, o padrão contemporâneo para a
identidade anglicana.

8. Formaremos um Conselho de Primazes de todas as províncias membros para eleger
um Presidente, como primus inter pares (“primeiro entre iguais”), para presidir o
Conselho, que continua “a batalhar pela fé que uma vez por todas foi entregue aos
santos” (Judas 3).

Como declarei em minha declaração há duas semanas: “A redefinição de nossa amada
Comunhão está agora exclusivamente nas mãos da Gafcon, e estamos prontos para assumir a
liderança”.

Hoje, o Gafcon lidera a Comunhão Anglicana Global.

Como tem sido o caso desde o início, não deixamos a Comunhão Anglicana; somos a
Comunhão Anglicana.

Em nossa próxima Conferência Episcopal do G26 em Abuja, Nigéria, de 3 a 6 de março de
2026, conferiremos e celebraremos a Comunhão Anglicana Global.

Por favor, ore para que levemos nossa Comunhão orando em submissão ao Espírito Santo,
na medida em que ouvirmos a voz de Jesus em suas maravilhosas Escrituras, para a glória de
Deus.

 

Arcebispo Dr. Laurent Mbanda
Presidente do Conselho de Primazes do GAFCON
Arcebispo e Primaz da Igreja Anglicana de Ruanda
Quinta-feira, 16 de outubro de 2025

DECLRAÇÃO DO GAFCON | 16 DE OUTUBRO 2025

Declaração oficial da Igreja Anglicana no Brasil Sobre a nomeação de Sarah Mullally como Arcebispa de Cantuária

Na data de hoje (03/10/2025), o Comitê da Coroa Britânica responsável pela escolha do Arcebispo

de Cantuária anunciou que a nova titular desta posição será a atual Bispa de Londres, Sarah Mullally.

Essa decisão pode ter surpreendido alguns, mas não deveria, uma vez que, há anos, a Igreja da Inglaterra vem assumindo uma trajetória teológica e pastoral de caráter revisionista. O último Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, embora inicialmente identificado como evangélico, gradualmente adotou posturas alinhadas ao progressismo teológico, conduzindo a Igreja da Inglaterra a aprovar, em seus sínodos, bênçãos a uniões homoafetivas.

Historicamente, a escolha do Arcebispo de Cantuária costumava levar em conta o equilíbrio entre diferentes correntes dentro do anglicanismo, alternando lideranças de perfis evangélicos e progressistas. Essa prática, contudo, já não prevalece. A Igreja da Inglaterra tem se isolado da realidade mais ampla da Comunhão Anglicana, priorizando agendas locais e desconsiderando o impacto de suas decisões sobre a unidade mundial que outrora orbitava em torno de Cantuária.

A nomeação de Sarah Mullally não nos surpreende. Ela se posiciona abertamente a favor de pautas revisionistas e apoiou integralmente a aprovação de bênçãos a uniões homoafetivas, sinalizando a continuidade de uma tendência liberal na Igreja da Inglaterra.

A Igreja Anglicana no Brasil recebe essa decisão com pesar, pois reconhece que ela agravará ainda mais as tensões que fragilizam a unidade da Comunhão Anglicana. No entanto, reafirmamos que tal escolha não afeta nossa caminhada. Somos anglicanos, mas não somos britânicos; somos anglicanos, mas não mantemos qualquer vínculo institucional com a Sé de Cantuária. Declaramos, em fevereiro de 2023, em comunhão com as províncias filiadas ao GAFCON e ao GSFA (Global South Fellowship of Anglican Churches), que não reconhecemos mais a Sé de Cantuária nem o Arcebispo de Cantuária como símbolo de unidade da nossa fé.

A Igreja Anglicana no Brasil é plenamente autônoma, com identidade, organização eclesiológica e doutrina próprias, firmadas no anglicanismo reformado e histórico. Mantemos comunhão com províncias anglicanas da África, da Ásia, das Américas e da Europa que permanecem fiéis às Escrituras, aos 39 Artigos de Religião, ao Ordinal e à prática litúrgica expressa no Livro de Oração Comum de 1662.

Reconhecemos que a nova liderança enfrentará grandes desafios:

  • Questão do episcopado feminino: a maioria das províncias anglicanas não admite mulheres no episcopado, o que coloca em xeque sua representatividade.
  • Questão teológica: a nova Arcebispa representa uma corrente liberal revisionista, em contraste com a maioria conservadora evangélica da Comunhão.
  • Contexto crítico: a Igreja da Inglaterra encontra-se hoje profundamente dividida, e é provável que sua liderança enfrente ainda mais rupturas internas nos próximos anos.

Diante disso, a Igreja Anglicana no Brasil reafirma seu compromisso inabalável com a fidelidade às Escrituras, à fé histórica do anglicanismo e à missão de proclamar o Evangelho de Jesus Cristo em nossa nação. Continuaremos caminhando com as províncias e dioceses que permanecem firmes na verdade bíblica, levantando a voz da resistência e trabalhando pela restauração e reorganização da Igreja Anglicana em nível global.

Miguel Uchoa
Arcebispo e Primaz 
Igreja Anglicana no Brasil

Statement of the Anglican Church in Brazil On the appointment of Sarah Mullally as Archbishop of Canterbury

Today, the British Crown Committee responsible for choosing the Archbishop of Canterbury announced that the new holder of this position will be the current Bishop of London, Sarah Mullally.  

This decision may have surprised some, but it should not, since for years the Church of England

has been taking a theological and pastoral trajectory of a revisionist character. The last Archbishop of Canterbury, Justin Welby, although initially identified as an evangelical, gradually adopted positions aligned with theological progressivism, leading the Church of England to approve, in its synods, blessings for same-sex unions.

 Historically, the Archbishop of Canterbury’s choice used to consider the balance between different currents within Anglicanism, alternating between leaders of evangelical and progressive profiles. This practice, however, no longer prevails. The Church of England has isolated itself from the broader reality of the Anglican Communion, prioritizing local agendas and disregarding the impact of its decisions on the world unity that once centered on Canterbury.

The appointment of Sarah Mullally comes as no surprise to us. She is openly in favor of revisionist  agendas and fully supported the approval of blessings for same-sex unions, signaling the continuation of a liberal trend in the Church of England.

The Anglican Church in Brazil welcomes this decision with regret, as it recognizes that it will further aggravate the tensions that weaken the unity of the Anglican Communion. However, we reaffirm that such a choice does not affect our journey. We are Anglicans, but we are not British; we are Anglicans, but we have no institutional link with the See of Canterbury. We declared, in February 2023, in communion with the provinces affiliated with GAFCON and GSFA (Global South Fellowship of Anglican Churches), that we no longer recognize the See of Canterbury or the Archbishop of Canterbury as a symbol of unity in our faith.

The Anglican Church in Brazil is fully autonomous, with its own distinct identity, ecclesiological organization, and doctrine, rooted in the traditions of reformed and historical Anglicanism. We hold communion with Anglican provinces in Africa, Asia, the Americas, and Europe that remain faithful to the Scriptures, the 39 Articles of Religion, the Ordinal, and the liturgical practice expressed in the Book of Common Prayer of 1662.

We recognize that the new leadership will face significant challenges:

 1. Question of the female episcopate: Most Anglican provinces do not admit women to the episcopate, which raises concerns about their representativeness.

  1. Theological question: the new Archbishop represents a revisionist liberal theology, in contrast to the conservative evangelical majority of the Communion.
  2. Critical context: The Church of England is now deeply divided, and its leadership is likely to face even more internal disruptions in the years to come.

In light of this, the Anglican Church in Brazil reaffirms its unwavering commitment to fidelity to the Scriptures, to the historic faith of Anglicanism, and to the mission of proclaiming the Gospel of Jesus Christ in our nation. We will continue to walk alongside the provinces and dioceses that stand firm in biblical truth, raising our voice in resistance and working for the restoration and reorganization of the Anglican Church at the global level.

Miguel Uchoa
Archbishop and Primate
Anglican Church in Brazil